domingo, 9 de dezembro de 2012

Deserto Em Mim (6)

Deserto Em Mim (6)

Tornou-se o deserto...
Beba em si o rio que corre
Adentro-íntimo: entorne a última gota - amor certo

F.
BULA:
Sara Tavares
Caminhanti

Caminhanti é caminho
Caminho di caminhanti
No verso e inverso 
Verbo ser é verbo nascer

Pé na tchon, homi na caminho

Distancia é miragem
Distancia é poesia

Bloqueio inflama cansera

Inclina ladeira sima água 
Ta disagua sima mar ta agita
Cês fundura na maré

Sima ponta dedo
Ta dispentia cabelo
Na kukuruto kenti cafuné

Mundo é movimento
Vida viva remexida

Pa pura tamperu
E aguça paladar
Na bico di sereia
Na ponta di lingua

Di alma, Sabor, Dor
Amor, Cor, Beleza em
Flor

sábado, 8 de dezembro de 2012

Deserto Em Mim (5)

Deserto Em Mim (5)

Deserto
Desapodera-te
Deserta a alma... torna-te desperto

F.
BULA:

"Tudo quanto penso,


Tudo quanto sou


É um deserto imenso


Onde nem eu estou.


Extensão parada


Sem nada a estar ali,


Areia peneirada


Vou dar-lhe a ferroada


Da vida que vivi."

Tudo quanto penso
Alvaro de Campos
[Heterônimo de Fernando Pessoa]

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Deserto Em Mim (4)

Deserto Em Mim (4)

Ascende
[E]leva o fogo em si
[S]em chamas - coração ainda ardente 

F.
BULA:
"De tanto olhar para longe,
Não vejo o que passa perto,
Meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.

Eu ando sozinha
Ao longo da noite.
Mas a estrela é minha."

Canção Da Tarde No Campo
Cecília Meireles

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Deserto Em Mim (3)

Deserto Em Mim (3)

Sol e um pito de sina
Fogo baixo: cozinha a vista
Chamusca uma pitada de lucidez

F.
BULA:
“Any thoughts of guilt, any feelings of regret, had faded. 
The desert had baked them out.” 
The Gunslinge - Stephen King

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Deserto Em Mim (2)

Deserto Em Mim (2)

Um oasis - até parece
Mentira: você aparece
Miragem... desaparece

F.
BULA:
"Não há nada no deserto, e nenhum homem precisa de nada. "
Lawrence da Arábia 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Deserto Em Mim (1)

Deserto Em Mim (1)

Tornou-se o próprio deserto...
Mas não olvides: o amor é certo
Adentro-íntimo: muito mais que perto

F.
BULA:
"Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro"
Leonardo Da Vinci

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Céu

Céu

Repousei os lábios 
E dancei o céu 
Da tua boca

F. 
BULA:
"Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui

Te pego sorrindo num pensamento
Faz graça de onde fiz meu achego, meu alento
E nem ligo

Como pode, no silêncio, tudo se explicar?!
Vagarosa, me espreguiço
E o que sinto, feito bocejo, vai pegar

Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui"

Cangote
Céu

domingo, 2 de dezembro de 2012

Praesagium

Praesagium

...e todo passado que sentes por mim é presságio:
Reminiscências - destino vind'ouro
Volvendo em adágio

F.
BULA:
Presságio

Do latim: Praesagium
1) Pressentimento, previsão, prognóstico, vaticínio. 
2) Fato ou sinal por que se adivinha o futuro. 
3) Conjetura que se tira de um fato ou sinal. 
4) Agouro.

Tempo

Uma discussão infinita... particularmente não estou tão certo sobre o conceito linear de tempo - as paixões, o amor e a consciência (ou espírito se alguém assim preferir) desconhecem a linearidade. Em algumas culturas orientais e diferentes abordagens da física moderna ocidental o passado, presente e futuro se fundem, são inseparáveis. Me parece bem plausível que o conceito de tempo linear. 

Na poesia, a relação forma-tempo, para mim, também é relativa. Quando se encontra o tempo correto, a cadência adequada, pouco importa se a forma é deformada (Beethoven que o diga). Isso tudo para justificar algumas sílabas a mais nesse terceto que não é mais poetrix (ainda sinto essa necessidade infantil de me justificar, mas isso tem data marcada para acabar).

sábado, 1 de dezembro de 2012

O Banquete

O Banquete

A carne suculenta...
Do teu vinho lento eu sorvo
A última gota - le dessert: outra taça, s'il vous plaît...

F.
BULA:

"É preciso estar sempre embriagado.
Isso é tudo: é a única questão.
Para não sentir o horrível fardo do tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
Mas de que?
De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser.
Mas embriague-se."
[...]

Charles Baudelaire

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Terre De Feu

Terre De Feu

Um beijo de Feu
Sublinha um nome há séculos 
Grafado à tua boca - ma terre prometida

F.
BULA:
Terre De Feu

1)Terra do fogo, em francês. 
2) Um batom... é sério.
3) Coincidentemente [?] Feu [fogo] também se refere à uma alcunha...

"Pôr uma alcunha a alguém
É como pôr uma tatuagem"

[...]
Antonio Silva

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Melodrama

Melodrama

Minha Dama, joga a trama na lama
Qu'eu jogo a fama na grama
E juntos - fogo na cama

F.
BULA:

"Cause for you I could win
For you I could trust myself
And for you I could throw with abandon
Old glories all feign to the wind
Cause I never left you
And you never let me go"

Races
Glen Hansard

"E quando sai de mim
Leva meu coração
Você é fogo
Eu sou paixão"

Fogo e Paixão
Wando

Porque apesar de romântico todo mundo tem um lado Wando também.
Salve Wando imortal!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Shhhh...

Shhhh...

...e a sua boca
Linda - quando calada canta pura
Conta sonhos velados de neve e fervura

F.
BULA:

"Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias

Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardía
Y por soñar lo imposible, ay, ay
Soñé que tú me querías"

Outro Sonhos
Chico Buarque

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sra. LaDra [Dois Pontos]

Sra. LaDra [Dois Pontos]

O beijo meu  
Por ti roubado tem valor 
Sentimental - devolva-me: ofereço boa recompensa...

F.
BULA:
Sara Tavares
Feira Da LaDra

É na Feira da Ladra que eu relembro
Uma toalha velha, toda em linho,
Que já serviu uma noite de dezembro,
E agora cheira a setembro,
Como o Outono sabe a vinho.

Não valem muito mais que dois pintores
Os quadros das paisagens que eu já sei,
Mas valem, pelos frutos, pelas flores
Que em são senti dor,
Fora de mim, eu pintei.

O que é que eu vou roubar à Feira?
Um beijo de mulher trigueira.
Aqui um coração, ali uma gravura.
É a Feira da Ladra, ternura.

O que é que eu vou trazer da Feira?
Um corpo de mulher braseira.
Aqui está um lençol, bordado como dantes.
Esta Feira da Ladra é dos amantes.

E na Feira da Ladra nos vingamos
Dum pouco desse tempo que morreu.
Em cada botão velho que compramos
Há sempre uma corja de amos
Que em Abril, Abril venceu.

Agora não compramos velharias,
Tudo passado é lastro do futuro.
Nascemos para o sol todos os dias,
Na nossa Feira da Ladra
Já não há ladrões no escuro.

O que é que eu vou roubar à Feira?
Um beijo de mulher trigueira.
Aqui um coração, ali uma gravura.
É a Feira da Ladra, ternura.

O que é que eu vou trazer da Feira?
Um corpo de mulher braseira.
Aqui está um lençol, bordado como dantes.
Esta Feira da Ladra é dos amantes.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Definitivamente Talvez

Definitivamente Talvez

Vida comédia!
Romântica... with love and hope
And dreams of second chances

F.
BULA:

"With love and hope and dreams of second chances"

Citação [literal] da citação [fictícia] do filme Definitely, Maybe.
[É eu sei, cafona. Fazer o que?]
Outra citação do mesmo:

"The human heart has hidden treasures, 
In secret kept, in silence sealed; 
The thoughts, the hopes, the dreams, the pleasures, 
Whose charms were broken if revealed"

domingo, 25 de novembro de 2012

Bem-Me-Quer

Bem-Me-Quer

Numa cidade qualquer
Um outro zangão qualquer
Fareja bem querer: malmequer

F.
BULA:
Bem-me-quer; Malmequer

Bem-me-quer tem hífen; malmequer não. 
Por mais que eu queira [as vezes desafiar a ortografia], malmequer não leva hífen. 
Aliás aqui malmequer não leva hífen e não leva nada. Só quem me leva é Bem-me-quer.

Bem-me-quer
...
Mal-me-quer
...
Mal-me-quer
...
Bem-me-quer
...
Bem-me-quer!

Porque eu quero-quero.

sábado, 24 de novembro de 2012

Do Fundo D’lama

Do Fundo D’lama

Na lama - no fundo
Minh’alma reclama
Por teu cheiro na cama

F.
BULA:

Agradeço ao erro de digitação [D'alma = D'lama] do irmão em palavras e xará Felipe Rey.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Fruit De La Passion

Fruit De La Passion

Desfrutou dos lábios... comeu 
Da fruta - toda gemido e mormaço 
Refestelou-se: deixou p'ra trás o bagaço...

F.
BULA:


32 sílabas - passei dos limites, mas só um pouquinho.
Porque passar dos limites [só um pouquinho] as vezes é muito bom.

Bagaço
Bagaço bom, no melhor sentindo da palavra. Repito, no melhor sentido.
Deu p'ra entender, né?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Gatuna

Gatuna

Vem - lasciva e silente
Rouba-me a noite: o passado
Desvia - surrupiando o presente

F.
 BULA:

Julie Newmar
A primeira [e a melhor] Catwoman.
Essa roubou a inocência de muito adolescente.

...

E tem coisa melhor que ser roubado, surrupiado 
Saqueado, afanado, levado e arrebatado?
Me furte a noite, o sono, a razão
Me liberte do sim e do não
Me sopre vida adentro
Com um beijo
Quente e
Seu


[Ps: o formato de coração da BULA foi acidental, fortuito... mas devidamente apropriado]

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Recordate, Dulcinea [Hommage]

Recordate, Dulcinea
(à Minha Dulcinea)

Fuerza, Dulcinea, amada mia...

Recordate todas las victorias:
Molinos y Vientos vencidos
Gigantes días de glória

Recordate del ardor que vos tenía:
La pasión sola y ciega espera
Grita - danza y vibra

Recordate de su encantadora poesía:
Grabada en tinta - aún fresca
Que la blanca tez vestía

Recordate todo que deslumbrante irradia:
El amor que irrumpe a los siglos
En el alma sigue y brilla...


Y no importa cuán grande es la mancha que acecha...


Pues trás esa mancha hay una luz
Caliente y afable, en tu pecho
Antigua, llamándote

Y puede haber montañas
Y revueltos mares
Y desiertos

Pues el amor que tenemos mueve
Montañas, divide los mares
Inunda los desiertos

Y despues de nosotros
No permanecerá
Piedra alguna...

Fuerza, Dulcinea, amada mia...

F.

BULA:

Mais uma homenagem...
Na foto a escultura em El Toboso, "Patria de Dulcinea", província de Toledo, Espanha.

"La Mancha"


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cavalo de Tróia

Cavalo de Troia

Aos Pulos, em apuros,
Helena deu cavalo de pau!
Má fortuna a nossa, Menelau...

F.
Menelau recupera Helena
Cena de ânfora

BULA:
Helena De Troia 

Helena possuía a reputação de mulher mais bela do mundo. 
Casou-se com Menelau, rei de Esparta. 

Numa viagem a Esparta, Páris encontra a princesa Helena.
Ambos fogem para Troia. 

Cavalo de pau...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_(mitologia)